Por: Ernane Silva
A atividade turística, bem como a
criação de órgãos específicos
relacionados com o turismo, é um fenômeno
relativamente recente, quando comparados com outras atividades.
Para se ter uma idéia, até meados da década de
1990, a política nacional de turismo restringia-se à
ampliação e melhoria da infra-estrutura
hoteleira.
Para Beni, a política do turismo “é a espinha dorsal do
‘formular’ (planejamento), do ‘pensar’
(plano), do ‘fazer’ (projetos e programas), do
‘executar’ (preservação,
conservação, utilização e
ressignificação dos patrimônios natural e
cultural e sua sustentabilidade), do ‘reprogramar’
(estratégia) e do ‘fomentar’ (investimentos e
vendas) o desenvolvimento turístico de um país ou de
uma região e seus produtos finais”. BENI
(2001:77)
Levando em conta que o turismo interno ainda
é o principal propulsor do turismo nacional, deve-se
atribuir mais importância à demanda interna e investir
em políticas que estimulem o aumento do turismo
doméstico no país. O problema é que a
história da política, principalmente no Brasil,
envolve concepções errôneas e está
diretamente relacionada com os atos de improbidade praticados por
grande parte dos agentes que compõem o poder
público.
Outro problema é que a maior parte das
políticas turísticas adotadas pelo governo não
contemplam obras de infra-estrutura turística; geralmente
são mais voltadas para a implantação de
infra-estrutura de saneamento básico. O ideal é que
haja uma concatenação entre as políticas de
turismo e políticas urbanas e regionais, uma vez que o
turismo urbano ainda representa a quase totalidade dos fluxos
turísticos mundiais, devido, principalmente, ao fato de as
cidades concentrarem todos os equipamentos necessários para
atender as necessidades e proporcionar conforto aos
turistas.
Atualmente o PNT – Plano Nacional de Turismo
é a principal ferramenta utilizada pelo governo para gerir e
controlar a atividade turística no país e compreende
algumas políticas que podem ser implementadas a nível
regional, readequadas de acordo com as especificidades locais.
Dentre elas podemos ressaltar o Programa de
Regionalização do Turismo e o Programa de
Roteirização de Circuitos Turísticos, que
possibilitam a melhor estruturação da atividade
turística municipal e regional, objetivando aumentar a
atração de mais turistas à determinada
região e estimular sua permanência ali por um tempo
maior e, conseqüentemente, alavancar o movimento do
comércio e dos serviços
turísticos.
Percebeu-se que a proximidade entre determinados
municípios, a despeito de suas afinidades ou
diferenças, significava novas possibilidades em
relação ao desenvolvimento turístico. Esses
passariam não só a explorar suas respectivas
potencialidades, mas também a contribuir para a
diversificação da atratividade e ou da
infra-estrutura turística de sua
região.
A elaboração de políticas de
turismo requer, ainda, atenção especial em
relação aos aspectos do meio ambiente que determinam
como deve ser o planejamento, tais como: localização
geográfica, distribuição e
segmentação dos mercados existentes, sua
distância dos núcleos turísticos, número
de habitantes, distribuição e renda, PIB, área
de agricultura, economia internacional, políticas
econômicas do país, regulamentações
governamentais, influências dos núcleos
turísticos concorrentes, sistemas viários
etc.
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